entre janelas livros artesanais

Composição de si na escrita

escrita: compor o si consigo

 

Pensar o exercício da escrita como experiência, e a experiência da escrita como exercício.
Fiar a escrita, Nina Veiga

 

Nas escritas de antes encontro sedimentos para os hoje. Na escrita de antes vivo antigos que ainda são, embora muito já tenha se deslocado. Recordo linhas novas num mesmo antigo. A leitura do repetido como abertura. Reler para se perceber, eis um prazer da escrita. Do texto, tecido, caderno, livro.


domingo, 12 de julho de 2015

eu escrevo porque preciso. porque não sei viver sem tirar algum momento de escrita. mesmo que eu sempre me critique, sempre questione e afins é na escrita que sistematizo a mim. essa escrita é a captação de sentidos, e eu sinto muito – muito mesmo. assim, sem elaborar uma frase solta sem nexo a vida se dilui, ou pior, não se dilui, torna-se densa e cheia de crostas. […]


Em escritas livra-se, um jeito de experimentar dentro do tecido e de suas linhas. Um modo de separar-se de si, tecer-se e destecer-se até a criação de mais uma história a se compor. Ser Penélope a tecer e destecer um longo tecido de escritas, que se faz e se desfaz até que seja possível a escolha. Escolher nem sempre é algo fácil, nem sempre é algo possível. E tantas vezes, exige mais tempo e ponderação do que o nosso tempo de pressa e digitações permite.

 

Recordar: Do Latim re-cordis, voltar a passar pelo coração.
— O livro dos abraços, Eduardo Galeano

 


leitura: compor o si com o outro

 

Sou um experimentador no sentido em que escrevo para mudar a mim mesmo e não mais pensar na mesma coisa de antes.
– Repensar a Política, Michel Foucault

 

Como se permitir a escrita? Como dilatar o tempo para um cuidado que faça da gente sujeito a se presentificar? Um jogo é abandonar a pergunta e ler em si o que já se quer. Como se permitir a escrita? Escreva. Como dilatar o tempo? Dilate o tempo. Como se presentificar? Se presentifique. Sair da dúvida e entrar no jogo. Ser pássaro, sendo gente.

 

Pensamentos… revelando…
Escrever te revela sabida,
vivida,
revela leitora assídua.
– Escreva menina!
– O que aprendestes nos livros?
Livros estes, hora manuseados, hora lidos,
hora manuseados e lidos, hora manuseados, lidos e sentidos.
A menina que não escreve,
não produz, não registra…,
não vive?
Estou viva vivendo!
Para escrever basta viver, basta sentir.
Sendo assim existe mais uma possibilidade de escrita.
“A escrita do sentir”.
O que aprendestes na vida?
O que sente vivendo?
Sentir vida, vivendo, existindo!
Escrever vida!
Escrita viva do sentir!

Escrevo pouco
Escrevo nada
Escrevo o suficiente
Escrevo quando escrevo

— Escritas que seguem, Fabiana Paula Assumpção Reis

 

Leitura como um livrar-se. Entrar nas entrelinhas, cair em divagações, parar na frase que te captura, suspender a si em um texto gritado em muro, olhar vênus brilhar no alvorecer.

Um texto que entre na experiência de si, que revele no mais simples devagar a possibilidade inventiva. Experimentar-se!


segunda-feira, 28 de março de 2011

às vezes, escrevo
escrevo como se importasse

escrevo num momento
e pronto, ponto

não sei se escrevo
talvez escreva

não creio

e lá, com as palavras
protejo

protejo, quem?

palavras não precisam
eu preciso

Salvar

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s