Encadernador de si

Encadernador ou daquele que cria livros

Livro não nasce de si. Há um alguém que o pari. Quem encaderna, o que faz? O que experimenta? O que processa?  Quais os fios e linhas tramados por quem mexe nos papéis em dobras e furos? Qual a parte que cabe a quem participa da construção do mundo ao dar ao mundo um novo mundo?

Sobrevivo em inquietações. Seria o ofício encadernador apenas produção de produto? Será que isso não é suficiente? Será o livro sempre submisso ao texto ou necessitado de se afirmar um além em arte-objeto?

Encadernador enquanto livro

Muito não sei. Muito. Me aproximo de lugares. Minhas mãos pedem encadernação. Preciso produzir algo que ainda desconheço. Sinto o encadernar habitando este corpo. Sinto seus processos a me tensionar. Eu tô a costurar fios em folhas. Eu tô a diagramar uma vida em páginas. A dar ordem. A colorir. A criar forma e vontade em meio a tanto sentipensamento.

Porque eu sei que tudo é uma coisa só. Porque sinto pensares do corpo e sei que o modo como estou agora a digitar deitado torto em cama influi na escrita texto que se tece. Como se fosse a escolha de um fio de textura específica para tramar.

Encaderno a mim. Conecto minhas partes entre linhas e papéis, e sei pouco sobre a capa que quero construir. Talvez por isso pegue sempre o revestimento emprestado e nem sempre invente minhas próprias capas.

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